quarta-feira, 21 de julho de 2010

A Canção do Leão... Epílogo: A Redenção



A redenção do Leão



Wimoweh tem 65 anos e continua ativa.

Estima-se que foram realizadas 160 gravações das três versões, 10 filmes e uns 20 comerciais.

O que significa tudo isso em direitos autorais e lucros? O que aconteceu com a família de Salomon Linda, que morreu na miséria e foi enterrado numa vala comum sem ver um centavo desses milhões?



Mbube/ Wimoweh gerou US$ 72 milhões em royalties.

Em 1989, a disputa pelos direitos de The Lion sleeps tonight entre a Organização Richmond, editores dos Weavers, e Weiss, o maestro da letra em inglês, entra em tribunal de NY.

O juiz declara a adaptação de Weiss uma composição separada e diferente da de Linda. Como pode?

Enquanto a Organização continua a incluir o Espólio da Família Linda como depositário dos royalties a receber por Mbube e Wimwoeh, ela não tem direitos sobre a adaptação registrada por Weiss. A versão utilizada pela Disney.

Hoje, 42 anos depois da morte do pai e vivendo na pobreza em Sowetto, suas filhas começam a receber um adicional.

Uma centenária lei inglesa de direitos autorais declara que todos os direitos de uma canção revertem para a família do autor 25 anos após sua morte. A Suprema Corte da África do Sul designou um promotor para cuidar do espólio e tentar recuperar esses direitos. A lei também enquadrou a gravadora original, a Gallo, que colocou advogados para cuidar do caso e certificar-se que justiça seja feita no espólio do Leão.

Ninguém tinha obrigação legal nem contrato com o cantor zulu, ninguém nunca se preocupou com Solomon. Para todos os efeitos, era apenas uma canção antiga da África.

E parece que nem Solomon se preocupava com essas coisas.

Mbube tornou-o uma lenda na cultura Zulu e ser uma lenda era um destino glorioso sob alguns aspectos.

Todos acenavam para Linda nas ruas, pagavam-lhe drinks e refeições. Era chamado para apresentações especiais, ganhava o suficiente para comprar ternos e sapatos para trabalhar, casar de novo e comprar uma vitrola para seus compatriotas escutarem seus discos numa cabana de sapé em Msinga.

A maior parte do dinheiro vinha dos desafios, ainda hoje parte da vida urbana. Todo fim de semana, Solly e os rouxinóis alugavam um carro e iam de cidade em cidade, sempre vitoriosos.

Os rivais tentavam de tudo, até poções, para torna suas vozes tão potentes quanto a de Solly. Sem sucesso.

Os Evening Birds subiam no palco e cantavam até o êxtase. A platéia enlouquecia com tamanha energia em festas que varavam a madrugada.

Cego pela adulação que recebia na África, nem se perturbou quando seu Leão chegou as paradas mundiais.

Quando Wimoweh começou a escalada de sucesso, fama e fortuna nos EUA, ainda tirou um sorriso dos lábios de um Solomon doente desde 59, quando desmaiara no palco.

Solly morreu em Outubro de 62.

- Ele ficou feliz, apenas feliz - disse Philda, uma de suas filhas - Nem sabia se devia receber alguma coisa por Mbube.

De sua grande família, restam três filhas, unidas após a morte da mais velha, de Aids em 2002.

Desde que os direitos autorais passaram para a família, um promotor público está processando a Disney, o conglomerado mais ativo no uso da canção.

Dos incalculáveis milhões que lhes são devidos, 15 milhões somente em solo africano, receberam 15 mil dólares até hoje. E um cheque de mil dólares, enviado por Seeger.

Delphi, Elizabeth e Philda ainda vivem numa favela urbana de Soweto.

Demoraram 18 anos para colocar uma lápide na cova comum do pai, que em uma tarde de 1939, foi visitado por anjos em um estúdio de Joanesburgo.



Happy End?



Howie Richmond publicou Stones e Pink Floyd por um tempo. É bilionário.

Peretti, falecido, sempre ganhou uns 10% do que Richmond faturava. Portanto...

Creatore aposentou-se e vive dos royalties de muitos sucessos no seu currículo. Weiss? É um compositor de sucesso no cinema e musicais, vivendo entre as dezenas propriedades que possui pelo mundo.



Repeteco das lendas Robert Johnson, Leadbelly e Willie Dixon (lembra de Whole Lotta Love?) ou apenas um bando de sofisticados predadores do Sistema, brigando pela autoria da musica mais famosa a emergir da África, criação de um zulu ingênuo até a medula?


Links:

http://vintage69.blogspot.com/2006/10/incrvel-e-triste-histria-de-solomon_14.html

versões - covers on u-tube...

http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://i.ytimg.com/vi/09SXTH699xE/0.jpg&imgrefurl=http://www.xbox360videos.com/index.php%3Fkey%3Dwimoweh&usg=__B1Bh5hGBGbvL3P4Mu7aHZfJo9aw=&h=358&w=480&sz=15&hl=pt-BR&start=46&itbs=1&tbnid=qWnACosTqMRLtM:&tbnh=96&tbnw=129&prev=/images%3Fq%3DSolomon%2BLinda%26start%3D40%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26gbv%3D2%26ndsp%3D20%26tbs%3Disch:1

time passages of Linda:

http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.pbs.org/independentlens/lionstrail/images/nav_trail.gif&imgrefurl=http://www.pbs.org/independentlens/lionstrail/trail.html&usg=__ypglVYfu95aqpX0w-zBDgWqXjd8=&h=201&w=149&sz=3&hl=pt-BR&start=56&itbs=1&tbnid=_iDqNvfrKmrIlM:&tbnh=104&tbnw=77&prev=/images%3Fq%3DSolomon%2BLinda%26start%3D40%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26gbv%3D2%26ndsp%3D20%26tbs%3Disch:1

Download the song (in a 2009 mix-compilation:

http://www.mediafire.com/?1iygyytzfm4

www.last.fm/.../_/Mbube

http://www.amazon.com/Rough-Guide-Music-South-Africa/dp/B000IJ7GNC/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=music&qid=1279763755&sr=1-1

Digite no You Tube: "The Lion Sleeps Tonight", Mbube, Wimwoeh, Weavers, Pete Seeger, The Lion King...


Obrigado, Solomon.

A Canção do Leão... 2ª Parte



2@ Parte: A Incrível e Triste história de Solomon Linda...


Mbombers eram a moda da hora...E o povo adorava.

Se você escuta um original dos Evening Birds, leva um choque com a intensidade vocal, se acha que a capella é só música coral suave e delicada.

O som é tribal, aquela fantástica teia de vozes usadas como instrumento rítmico...

Ao dobrar as vozes graves e injetar mais volume, Solomon criou um estilo novo...Nascia uma estrela!

Ele era o Elvis de seu tempo e espaço.

Era o soprano e líder, cantando num falsetto de arrepiar, a marca registrada da canção do Leão.



Em 1938 os Evening Birds são descobertos e gravam pela primeira vez.

O estúdio é de Eric Gallo, produtor ítalo-americano que começou vendendo discos de hillbilly para a classe trabalhadora. Agora produzia e gravava estilos musicais nos dialetos locais, Africaner, depois Zulu, Xhosa, o que viesse...

Seu sócio Griffith Motsieloa era um gentleman e o primeiro produtor negro da África do Sul. Não entendia o interesse do sócio na cultura musical das favelas, mas fazer o que? Gallo queria vender discos para os negros. Talvez desse certo.

Quando o Afro-hillbilly não pegou, tentou com o Isicathamyia.

Das várias faixas que gravou, a que nos interessa é Mbube, palavra zulu para Leão.

Receberam 10 shillings em dinheiro e Gallo torna-se o dono dos direitos autorais.

São três acordes básicos, sobre algo sem nexo como Leão! Ei! Você é um Leão, inspirado na caça as feras que atacavam seu gado.

Começou no improviso e no 3º. Take, Griffith adicionou piano, banjo e guitarra.

Lá estava a música destinada à glória, com algo cativante na melodia central.

Quase no fim da gravação, Solly respirou profundamente e soltou o falsetto na melodia de 15 notas que o mundo hoje associa às palavras “Na selva, na poderosa selva, o Leão dorme esta noite”.

Motsieloa sacou no ato que Mbube era especial. Enviou a matriz à Londres, que prensou discos de 78 rotações, chegando às lojas no dia que a Polônia foi invadida.

Havia poucas rádios negras em 39 e Mbube foi veiculada de boca a boca pelos ouvintes de estações comunitárias dos subúrbios.

Mbube explode e vende bem durante anos: Foi re-prensada tantas vezes que o master desintegrou!

E assim Solomon Linda torna-se o imbatível campeão de desafios, um herói para os Zulus. Em 1948 já vendera 100.000 cópias! Só em Pretoria, Soweto e Joanesburgo.

Mas O Leão não pertencia mais a Solomon.

Fora capturado pelo civilizado homem branco.



A captura do Leão



Do outro lado do mundo, em Greenwich Village, o cantor e tocador de banjo Pete Seeger estava na pior. Desempregado, vivia num quarto de quinta com mulher e dois filhos.

De família rica de NY, abandonara Harvard e caíra na estrada com seu banjo. Pesquisara o cancioneiro folk e a música de protesto social surgida da Depressão nos campos de trabalho da América.

Em NY, juntou-se a banda de Woodie Gurthrie, a Lenda.

Vestiam-se como os trabalhadores desempregados: camisas básicas de trabalho e jeans surrados. Escreviam canções de protesto, sucesso entre a derrotada classe operária.

No violão de Gurthrie, um slogan gravado: Esta máquina mata fascistas.

No banjo de Pete, a versão soft: Esta maquina cerca o ódio e o força a render-se. Era o protótipo hippie.

Quando Hitler invade a Rússia, começam a escrever canções antinazistas e ganham uma certa fama.

Convocado, Seeger vai tocar seu banjo no front. Dispensado em 45, sai pelas universidades e escolas ensinando música folclórica americana.

Não era o máximo da vida. E o dinheiro pouco. Pra completar, contrai pneumonia. Eis que Alan Lomax, um amigo, bate em sua porta. Lomax e pai já eram famosos por coletar pérolas da musica negra rural

Descobriram Leadbelly e Muddy Waters em suas andanças.

Agora estava na Decca, onde resgatara do lixo um pacote de discos de uma obscura gravadora africana, enviados na esperança de que fossem publicados na América pela gravadora.

Quando escutou os discos, pensou...”Meu Deus! Pete tem que ouvir isso!”.

Um deles era Mbube.

Impressionou-se com o ritmo selvagem e alegre, um falsetto incrível cortando o ar, vozes graves fazendo os baixos...Wow!

Ele podia cantar assim. Caneta e papel na mão, transcreveu tudo.

Não entendia bem as palavras. Cantavam algo como “Uyimbube, Uyimbube”. Parecia com Wimo-weh. E foi o que escreveu.

Começou a ensaiar Wimo-weh, sua canção favorita durante 40 anos, com a nova banda folk, The Weavers.

A canção ilumina seu repertório de velharias, na linha de Greensleves.



Pete estava cansado de viver na dureza.

Queria uma carreira, sucesso, sustentar a família.

Conseguira emprego numa estação de TV, mas fora dispensado antes de começar, dedado como agitador radical...

As coisas iam de mal a pior até conseguirem uns shows no Vanguard Village.

Duzentos dólares por semana, comida e bebida de graça durante duas semanas.

E então, algo inexplicável acontece: multidões lotam os shows, a temporada vai para um mês, depois outro e mais outro...

O sucesso dos Weavers era inexplicável. Canções que estavam ali há décadas, cantadas por negros e imigrantes...mas jamais faziam “aquele” sucesso.

Seis meses depois ainda lotavam o Vanguard. Até a granfinada de Times Square aparecia.

Uma dessas figuras era Gordon Jenkins, músico de jazz, arranjador de Benny Goodman e maestro de Sinatra.

diretor musical da Decca Records.

Adorou o show, que viu várias vezes e resolveu bancar a gravação de um disco.

Gravaram a primeira faixa em 1950, Goodnight Irene, canção de Leadbelly, amigo e mestre de Seeger. Sucesso imediato!

No lado b, Tzena, Tzena, Tzena, canção Israelita adaptada que também emplacou. Como também The Roving Kind, releitura do séc. XIX que chegou a terceiro.

Saíram do circuito alternativo para a baba dos cassinos e clubes da época. Vestiam ternos caros, usavam Brylcream nos cabelos, estavam na TV, rádios, faturando mais de três mil dólares por semana. Para os antigos camaradas de esquerda não passavam de hipócritas sugando a cultura negra...

Sua resposta foi Wimoweh, fiel ao original a não ser pelo dedilhado de Seeger no banjo.

A prova de fogo era o vocal, que ele fazia na perfeição, usando as cordas vocais com tamanho esforço que estava quase mudo aos 75 anos!

Wimoweh era a “quente” do repertório, o que talvez explique a espera de um ano para gravá-la, quando já era sucesso em shows e tv.

Jenkins produziu e incluiu orquestra.

Seu arranjo tipo big band quase apaga o esplendor da canção original. Trombones, trumpetes e cordas afundando a bela canção de Solomon.

Mas Pete entregou-se de tal maneira que Wimoweh pegou de jeito e entrou nas paradas.

Diferente de tudo o que fizeram, a Bilboard adorou, elegendo-a canção da semana. Vai estourar! na capa da Cash Box . Primeira página da Variety: In-crí-vel!

Sucesso, aqui vou eu...Mas os direitos, registrados pelos editores, Richmond & Brackman não incluíam Solomon.



Enlouquecida e paranóica, a América de 52 caçava Comunistas até debaixo da cama. Listas eram publicadas, empregos perdidos, celebridades delatadas e intimadas.

Em Washington, um antigo camarada de Seeger abria o bico no Comitê de Atividades Anti-Americanas.

Trabalhara com ele na organização esquerdista a Canção do Povo, fornecendo cantores para entreter camaradas em manifestações políticas. Estava entregando tudo.

Wimoweh estreava na parada de sucessos e ele contava que os comunistas aproveitavam-se da ingenuidade sexual da juventude americana para recrutá-la para o movimento. E mais: ele conhecia todos os envolvidos! Eram os Weavers, incluindo Pete Seeger!

A imprensa marrom enlouqueceu. Repórteres caem matando na gravadora, fazendo pressão nas TVs, revistas e nos clubes: Vocês estão promovendo comunistas! Isso é antiamericano!



Daí pra frente tudo deu errado. Shows e aparições na tv cancelados, discos banidos, intimações...E Wimoweh vai do sexto lugar para o esquecimento.

Ninguém quer saber dos Weavers, comunistas!

A Decca cai fora e até o fim do ano, Seeger volta ao começo, ensinando música folclórica para crianças a troco de merrecas e morando em espeluncas.



Os Weavers estavam mortos, mas Wimoweh sobrevive.

A música miraculosa de Solomon atraiu cobras do Jazz como Jimmy Dorsey, que fez um cover em 52.

A deusa Yma Sumac provocaria frisson com sua versão cocktail lounge.

Foi incluída num álbum do Kingston Trio que permanece 178 semanas consecutivas no segundo lugar!

Considerando que Thriller de Michael Jackson, o single, ficou 50 semanas entre o primeiro e segundo posto...



Por essa época, o refrão de Wimoweh ecoava nas rádios da América. Qualquer adolescente conhecia os versos, ah-wim-ô-uei, ah-wim-ô-uei...

Mbube, o sucesso adaptado por Seeger nas rádios, pelo qual Linda não recebia direitos autorais.

Na África, ninguém se preocupava em registrar músicas. Você vendia, comia e pagava as suas dívidas e os direitos eram de quem comprava. Ponto final. E se fosse um negro nativo...



Em 61 a canção é re-adaptada por Creatore e Peretti, veteranos do showbiz e por um maestro graduado em Julliard, George D. Weiss (co-autor de Can’t help falling in Love with you, gravada por Elvis).

Mantém o contracanto com a melodia de Solomon assumindo o centro do palco e ganhando letra em inglês: In the jungle, the mighty jungle, The Lion sleeps tonight.

The Lion era remake de Wimoweh que era um remake de Mbube!

Enterrada sobre camadas de estilos pop-rock, era Mbube em nova versão gravada pelos Tokens, como um King Kong escondido dentro de um bloco de gelo cristalino...

Weiss adicionou tambores tribais, cantora de ópera, guitarra, baixo, e uma sinfônica. A RCA editou-a no lado B de uma insossa música chamada Tina, que afundou como prego na água.



Meses depois é resgatada ao acaso por um DJ da WORC, rolando direto na programação.

Estoura de novo e no fim de 61 é a campeã em quatro paradas dos EUA!

Brian Wilson quase bate o carro quando a escuta no rádio.

Arranca um motherfucker dos lábios de Carole King, compositora de sucessos.



Em um mês é 1º lugar na parada inglesa na voz do desconhecido Karl Denver. Em 62 era cabeça de qualquer parada do globo!

Miriam Makeba cantou-a no aniversário de JFK, antes de Marilyn sussurrar ao microfone Happy Birthday, Mr President.

Tocou na plataforma de lançamento da Appolo.

Foi interpretada pelos Springfields, Spinners e Tremeloes. Volta em 73 com

Robert John, o blues man branco.

Retorna às paradas em 82, cover do Tight Fit.

Quem mais? REM, The Nylons, They might be giants, Manu Dibango e até grupo de heavy metal alemão.

Sem contar a trilha sonora de Ace Ventura: Um detetive diferente.

Foi quando a Disney incluiu-a na trilha sonora de O Rei Leão.

Depois que o filme estourou, usou-a nas montagens da Broadway, que deu a volta ao mundo.

Foi lançado em dvd, vídeo e no cd-bônus de cantigas tradicionais que vinha com o vídeo americano, ganhador de um disco de Ouro.

A cena? Explicando o astral Hakuna Matata a Simba, Timon entoa um In the jungle, the might jungle...quando retornam a floresta.

Fim 2ª Parte - A Seguir... A redenção do Leão

A Canção do Leão...Ou a Incrível e Triste história de Solomon Linda e seus desalmados exploradores




No inverno de 2004, li 3 artigos em diferentes midias sobre um fato singular, impressionante e revoltante, as well. Fiquei totalmente possuído pela história real de Solomon Linda, Zulu que compôs uma canção iluminada (que o mundo todo já escutou e conhece muito bem...), enriqueceu o homem branco com dinheiro, fama e gloria e que morreu tão pobre que nem lápide a família pode colocar no túmulo.

Esse texto é uma homenagem a Solomon Linda, o líder do grupo vocal (Doo-Wop style) Evening Bird. Traduzi, poéticamente, todos os textos que tive acesso sobre O Evening Bird da minha canção de infância, aquela sequência mágica de 15 notas.

Li tudo que pude: uma matéria maravilhosa e detalhada de Brian Malan, In The Jungle (Rolling Stone issue 841, May, 2000) que fazia parte da edição citada da RS americana trazendo, ironicamente, Britney Spears ("Wants You!") no auge do recém sucesso de vendas e público, ainda "The Instant Darling of America".

Li outra matéria muito boa online, no site francês rockbo.lautre.net, um numa Esquire americana de 2001 falando sobre a evolução do processo aberto pela família de Solomon para o reembolso dos royalties devidos lá pela casa das centenas de milhões de verdinhas e uma homenagem a Salomon feita pela TimeOut inglêsa pela época do lançamento do mega desenho animado do Rei Leão em DVD, que tem Mbube, a canção do leão, em sua trilha.

Juntei tudo isso, bati no liquidificador e montei essa tradução poética (tanto quanto a do King Edward), num sensibilizado tributo ao cantor e compositor Zulu.

A matéria In the Jungle de Malan, eu li de uma tacada só, estupefato, breathless, com a espoliação descarada do homem branco colonizador sempre chupando seu estoque de raízes e sangue direto do continente africano.

Espero que esse texto sensibilize você tanto quanto se aprofundou em minha alma, mente, espírito e claro, corpo, a voz, o instrumento de Linda.

Publico aqui aqui uma pequena introdução, acrescentando uma frase de abertura dita pela Björk, por ocasião do lançamento de seu albúm a capella, Medúllah, naquele ano de 2004.

O texto integral fez parte de minha coluna A Arca do Velho (Histórias do Arco da Velha), na MTV On Line e da primeira edição da revista MTV online, naquele mesmo ano. Ficou no ar por 3 meses on line e sumiu numa das várias mudanças de cara do site da MTV. O resto do texto, publico aqui. Na sequência.

Obrigado, Salomon Linda.


“E se nos desfizéssemos da civilização, da religião, do patriotismo, daquilo que deu errado? Ia chamar o álbum de Tinta, pois queria que fosse como o sangue negro, 5000 anos atrás, que existe dentro de nós... um espírito cheio de paixão e que ainda sobrevive.
Mas escolhi Medúllah, em latim. Não apenas a medula de algo, como dos ossos, do cabelo. Mas obter a essência de alguma coisa.”.


(Bjork, sobre a inspiração de seu cd a cappela, Medúlla, no jornal Independent em 2004, transcrito pela Folha de SP).


A Canção do Leão...Ou a Incrível e Triste história de Solomon Linda e seus desalmados exploradores...

Em 1939 um milagre acontece para um Zulu chamado Solomon Linda, na frente de um microfone no único estúdio de gravação da África.
Abriu a boca e de sua alma brota uma música mágica, escala perfeita de quinze notas que entram pelo microfone nos sulcos de um disco de 78 rotações. A música fez um sucesso danado no continente africano, decola em Londres, segue para a América e se imortaliza: permanece 65 anos nas paradas mundiais, voltando a cada década sob diferentes nomes, formas e disfarces.
O título original no rótulo do disco era Mbube, interpretado por Solomon Linda e os Evening Birds.

Artistas tão diversos como Phish, REM, Glen Campbell, Chet Atkins, Brian Eno, The Nylons e até o maestro brega Bert Kaempfert, a gravaram.
Navajos cantaram-na em celebrações.
Foi hino da equipe inglesa de futebol na abertura da Copa de 86, uma piada!
Hollywood colocou-a nas telas, além de ser até hoje o sucesso mais executado continuamente nas rádios americanas, o airplay.
A composição mais famosa a vir da África penetrou tanto no inconsciente coletivo de tantas gerações, que se pode dizer que é uma canção que o mundo inteiro conhece.
De um jeito ou de outro.

Estava na praia, tomando um mate gelado com limão, sol a quarenta graus e essa música tocando no rádio Zenith da esteira ao lado. Eu tinha sete anos e estava no Posto 6, Copacabana, RJ.

Sua saga multicultural é um compacto da História da Música popular, que entra anêmica no séc. XX e se recupera com transfusões de ragtime, jazz, blues e soul vindo das artérias Africanas.
Na natureza dessa transação, o fato histórico: A África sempre deu mais do que recebeu e acabou na miséria.
Com um artista negro não seria diferente.
Essa história é uma homenagem a Solomon Linda, Zulu que compôs uma canção iluminada, enriqueceu o homem branco com dinheiro e fama e morreu tão pobre, que nem lápide a família pode colocar no túmulo.

Tudo começa com a amizade entre um aristocrata britânico e um cantor afro americano famoso.
Sir Henry B. Lock, da cúpula Colonial Inglesa era amigo de Orpheus McAdoo, do lendário grupo vocal de spirituals, os Virginia Jubilee Singers, desde 1880.
Indicado governador da Cidade do Cabo, nem pisca ao convidar Orpheus e os Jubilee Singers para vir Àfrica, onde cantam para multidões de nativos boquiabertos em cidades e vilinhas de mineração.
Os Spirituals enfeitiçam os nativos, acostumados aos horríveis hinos dos missionários cristãos.
McAdoo era seguidor do gospel, mas havia uma subversão rítmica nas interpretações, prenúncios de funk e soul.


Durante quatro anos, excursionam pelos mais remotos pontos da Àfrica.
Num deles, uma escola no centro de um vale chamado Msinga, vivia Solomon, um garotinho nascido em 1909.
Fascinado com os Jubilees, incorpora seu canto às músicas Zulu que cantava com os amigos em festas.
No começo de 1930, vão a Joanesburgo tentar a sorte.
Moram nas favelas e trabalham como mão de obra barata nas fabricas.
Perplexo com a cidade, o esperto Solly transforma o cotidiano em canções a capella sobre o trabalho, amor e crimes. Sobre como os bancos te roubam, trocando papéis por dinheiro vivo, como a polícia trata mal o Negro...
O povo começa a gostar da música do grupo, que em dois anos é a atração mais quente da cidade. Adotam o terno de três peças, chapéu e sapato bicolor...Chiquérrimo.
Tornam-se Solomon Linda e os Pássaros do Entardecer, pioneiros do gênero Isicathamyia, vocalizações cheias de harmonias e energia, as vozes graves contrapondo as agudas.
A música dos Zulus é marcada por poderosas batidas rítmicas dos pés no chão, que em conjunto fazem a terra tremer. Literalmente.
Essa dança devia ser controlada, mais suave...No sapatinho.
Quem viu o grupo vocal Ladysmith Black Mambazo, intérpretes consagrados do gênero e em especial, de Mbube, lembra dos movimentos insinuantes, da dança dos pés sincronizados.
Existiam legiões desses grupos entre os migrantes, que no fim de semana iam as Tea Parties, encontros regados à cerveja, misto de show e desafio entre corais.
O prêmio em geral era uma vaca ou outro animal.
Eram os Crocodilos, Rapazes Travessos ou Águas ferventes e quando estoura a segunda guerra, denominam-se Mbombers, como os bombardeiros Stukas dos noticiários no cinema.

(Fim Parte 1)



Fontes:

http://www.youtube.com/watch?v=TWdtgwBZ0BM - sobre o Doo Wop.

http://rocbo.lautre.net/spip/article.php3?id_article=213


Esquire, Rolling Stone e Time Out, Verão de 2000

A Lion's Tale , documentário produzido pela South African Broadcasting Company.
www.bizcommunity.com/Article/196/66/1805.html

Where Have All the Flowers Gone (Para onde foram todas as Flores?)
Biografia de Peter Seeger (Sing Out!Publications, 1993, USA)

Escute a original na www.amazon,com
CD: Mbube Roots (Zulu Choral Music from South Africa, 1930's-1960's)
Various Artists - International - Africa









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segunda-feira, 14 de junho de 2010

GêGê, de Grande Grande II


CAIO CARDOSO NEHRING Carregando...12/02/09

Responder CAIO CARDOSO NEHRING para Geraldo
mostrar detalhes 12/02/09


Para os anais (ui, ui, ui) da nossa história:

Curioso: o dono do terreno onde foi construído o Iguatemi era meu primo ou tio, já não me lembro mais, o Mario Zito (irmão do marido da irmã - tia Lourdes - do meu pai, named Zito, um maluco negociante de carros IMportados, caçador amigo do Chico Galvão, que ia pra África fazer safaris, caçar e ainda tinha um urso e um tigre com cabeça e tudo, feito tapetes na sala da lareira e da TV ), que era filho do Dr. Rocha (que também foi pai dos gêmeos Rodrigo e outro q não me lembro o nome, dois riquinhos metidos, 2 b honest, a Maria Luíza, irmã deles sendo a minha primeira paixão e a primeira admiração, a mãe da dupra dinâmica, Dna Iná, uma diva dos anos 60).


Passei muitas férias na casa dele, num terreno de "fantasia", com casa de madeira em árvora 4 the kids, que ia até o rio Pinheiros, praticamente, não havia a marginal. Nadei muito no rio Pinheiros ali na frente do Hebraica. Ia de uma margem a outra, atrás do meu pai, ida e volta. Quanta saúde naqueles dias, saúde de sobra boiando num puro e natural rio Pinheiros, quem diria.
Aqui, como no Tietê, você tinha que se entender com a corrente e aproveitá-la, pela lei natural do mínimo esforço, que você já tinha gasto pra chegar até a outra margem, que era bem distante, mais distante que a do Rio Tietê e o Morumbi, no meu melhor francês, era longe pra caraaaaaaaio, uma mancha do outro lado do rio, a casa do Bandeirante então nem se fala... Era no Haiti, aqui mesmo. E eu nunca aproveitei um insight desses na minha vida normal, que cá entre nós, foi só até o primeiro ano de Iadê, e isso was a long time ago...
Se bem que nadei no Tietê também e isso já dá uma idéia da idade aqui do Véio (que agora tem uma Véia)...
Ia do Floresta ao Tietê em 5 minutos, a nado. E mais dez pra voltar, por que tinha que subir um pouco até a Ponte Pequena pra aproveitar a corrente, quinze, vinte metros acima... o que a gente fazia pela margem do pier do Tietê, de onde saía meu primeiro herói: a equipe de remo do Tietê, afinadissima e tri-ligeira, com seu uniforme vermelho e branco, deslizando a mil pelas águas então puríssimas do Tietê com a Tiradentes...
Sempre aproveitando a corrente, eu queria ser herói, e consegui ser uma espécie de quando me saía superbem em todos os esportes no Arquidiocesano: seja bila ao mastro, basquete e voley, fut sal e até um timido defesa nos menores do temível e danado irmão Leão... E eu era ídolo de muito nego que sofria bullyin' constante dos maiores, dentro dos menores. Quem mudaria isso seria o Vital, meu amigão, companheiro de ginástica olímpica com o Hudson, mas isso é uma outra estória que fica para outra vez. E o dia já vem raiando, GG, and it's Mondat, Monday, the 14th of July, two days after the day you would pass this world and cross the rainbow bridge, of course, havin' the good old Mr. Hendrix playin' 'Hear my train coming', on the edge od a volcano, im Maui, how would u like that?
Nada de marginal a vista... Em todos os sentidos, i also mean... Só o deck do Floresta, o deck do Tietê, o paraíso da minha tia Delly nos fins de semana regados a piquenique nas mesas & fields do Floresta, cestinhas, toalhas, garrafas térmicas modernosas e sungas enroladas em toalhas de banho minúsculas pra não atrapalhar debaixo do braço na hora de subir no elétrico... e os saltos ornamentais do meu Tio João, um verdadeiro Touro saltador que caía com uma agulha na água, e eu, um toruinho que queria ser apenas um bopm nadador e deixar meu pai orgulhoso. O que descobrirei decadas depois que ele era...


O que consta (ou o que meu pai e meu tio Pedro me contou) é que o Mario Zito jogava pesado e acabou perdendo o terreno da Iguatemi, que aliás, só fazia divisa com o Hebraica e o Pinheiros (eu era sócio e estava aprendendo a nadar e a saltar com o Fiore, o seu Lima, antigo ordenhador que era porteiro - amigo - da piscina, o seu Jorge, o cara do vestiário... gente fina, mas sem-pre mal humorado... môsca branca rabugenta).
Vendeu a parte dele (aquilo pra mim era um Big Valley, com direito a Barbra Stanwyck e tudo, a bela esposa do Mário Z., um campo de árvores e floresta baixa que acabava na boca do Pinheirão. Isso lá por 64, 65, and all the chumbo years to come.

Foi então q começou a ser construído o Iguatemi. A única data (que aliás não é data, é ano) que me recordo do início da obra na rua Iguatemi é 66/67, porque meu pai lançou o Gordini 67, trabalhava na Willys e a gente passeava de "novidade" vinho na frente das obras do terreno do Mário Zito e da rua, que estava sendo alargada 3 vezes o seu tamanho original, pra virar a futura Faria Lima... Depois viriam as obras do Shooping, a valorização daqueles Gomeida Fernandes logo ali atrás em cima do estacionamento, o posto do Roberto Carlos, o RoCar... Foi nessa época que peguei hojeriza por jogo. O mardito tirou a fantasia das minhas férias de fim de ano...

E aí surgiu Raul Seixas e seu Ouro de Tolo;


Foi por causa do Iguatemi que os lojistas da Augusta (era o pai do webdesigner q trampou comigo na produção gráfica e edição dos 70 anos da Casa Eurico, whatshisname, gosh...) sentido bairro forraram a Augusta de carpete vermelho, da Santos até a Estados Unidos. E depois ficou lá, até desaparecer... comin' rain or shine...


Me lembro também de ter comemorado a copa de 70 na Augusta, que virou um verdadeiro bacanal... Todo mundo se beijando, todo mundo embramado, nas bramosas que a gente já chamava então de louras, a polícia comemorando com o cidadão comum, a escalada da violência longe de começar.


Acabavam os jogos, a gente ia se dar bem na Augusta... Mil gatinhas maluquinhas e nada manhosas. Free Love, literal rolando nos quadriláteros da Lorena, Tietê, Haddock, Oscar Freire, Bela Cintra e Rbouças, em mil apartamentos e muquifinhos maravilhosos do Beautiful People da época, que em geral era galera que trampava nas lojas HOT dos seventies, o "Jardins" dos Seventies, aquelas Augusta do Drugstore, da Paraphernália e da Bípede, com todas aquelas lojas maravilhosas, e que se incluam aqui Poster Shop, Smuggler, dos gêmeos madmadmen, a Malharia Trappo e a Freedom do Clive e Néride, o portal para a idade de Aquários e seus cachimbos e figurinos Blowout alto Oriente e seus originais kits para meditação.

Esse era o povo que cruzávamos nas bebemorações pós-vitórias da seleção canarinho em 70, Paz e Amor total (e não me deixam mentir Sandro, Joyce, Pedrão, Guto, Maneco, Caco, o meu querido Palhinha long time no see, Paulinho K., Oswaldo, Kalimério, Pinky, Gastão...), aquela Augusta de ponta a ponta até a Paulista uma verdadeira celebração de Baco verde amarela com a teensada perdendo a virgindade ali nas quebradas e casalitos se amassando em cima do capô, tudo regado a vinhos Sangue de boi (de galões, na palhinha), cerveja (meia, a gordinha, no cans), Hercules, Pilsen e garrafas de uísque variadas... uma maconhinha aqui e ali sob o olhar complacente dos guardinhas das joaninhas, q a essa altura já estavam pra lá de Bagdad e não podiam mais dar conta de, doizinhos, prendarem todo aquele bando de alucinados bebados e alegres, inclusive encostados pelas paredes externas do Frevo, q ainda não tinha os banquinhos made in Oscar Freire, na frente das lojas, como hoje se encontra... Era Sodoma e Gomorra solta e feliz aqui mesmo a cores (sim, a TV era colorida, Jarzinho marrom, amarelo e azul.), todo mundo se amando, todo mundo amigo até o fim, as grandes amizades e paixões dos meus 16 anos vendo Made no Vereda... Si, decididamente SP era nossa nesse tempo, GG... Até no medieval eu entrei nessas bebemorações, com a Glorinha, que a boate... comeu!

Revendo datas e datas, descubro que isso aconteceu depois de inaugurado o Iguatemi (reação dos lojistas com red carpet e não exatamente no dia da inauguração como minha memória me contava: Ouro de Tolo do Raulzito foi lançado em 72/73...Nesse dia (do carpete, again e eu deitado na frentre da Hi-Fi, minha mochila de travesseiro, papo pro ar, perna cruzada sobre o carpete, vendo o Raulzito em pessoa acima de mim, no balcão da loja, ou será camarote, empunhando seu violão Gianinni e óculos rayban?) o Raul Seixas deu um show acústico (before the acoustics) da janela do escritório da Hi-Fi do tio "Hélcio", cantando as músicas de seu primeiro disco de sucesso, e Al Capone, e Ouro de Tolo, e Mosca na Sopa etc.

Eu assisti o show esparramadão no carpete, já que naquele dia não circulava carro na Augusta, only pedeastrians.

Só a partir de Domingo, cars up & down. Aquele Sábado rendeu, aliás, festas e mais festas, com direito até a Drive-In em Interlagos, três casais formados no sobe e desce da Augusta, dentro do Galaxy do Severino, quem diria, o Ika. Nosso amigo rico e gente boa.

Mas a tal creperia que vc fala, só viria a existir lá por 73 e acho que era o Rick's Center, do Ricardo Amaral. O Iguatemi já existia há um tempo, a noite ali era tranquilérrimo, nada de confas, nem polícia, nem indesejados, canadenses, etc... E claro, toda noite eu estava lá. Coemdo a crepe de queijo ralado com presunto e tomate ou aquela delixia que era a de Leite Condensado cozinhado, com duas ameixas picadas... No Bixiga, só Catupiry, no Rick's, só leite Moça, genuíno...


A época do primeiro ácido sunshine california, que eu tomei no Rick's e depois fiquei uma hora tirando fotos na cabine automática do minishopping viajandão que só e, rindo até não mais poder. Engraçado que eu era do Pinheiros (clube, não da turma do clube), mas todos os meus amigos de balada eram do Paulistano (clube), uma coleção de malandros bem nascidos: Gazu, Rubinho, Pedrão, Gastão, Gomalina, que toda as noites, estavam no Rick's.

Uma coisa mais ou menos como o metrô da Consolação na Paulista co m Augusta e o metro Paulista na Consolção, ao lado das Pernambucanas, algo sem pé nem cabeça, ou quem sabe, a cabeça na Paulista e o pé na Consolação, um passo pra dentro do antigo e imenso belas Artes...


Estávamos descobrindo vários mundos. Em dois anos eu escutaria Dark Side of the Moon, por horas, novinho em folha, importado com embalagem especial e resgatado no Museu da Dom José, viajando com Estelão, sobre o carpete do meu quarto, num apê novinho comparedes verde bandeira e cor de vinho... e carpete italiano de 1ª linha, antialérgico que o General Goretta colocou em 1955... Escutamos Dark Side de cabo a rabo, da lua cheia a minguante numa longa viagem da minha 1ª paixão e 1º amor adolescente.


Ali do lado, dois anos antes eu frequentava a casa de uma antiquária amiga (ficante) de papai, Marina Galvão, que tinha quatro filhos: Fernanda, a Monica, o Tony e mais um pequeno q ñ me recordo (lembro... Rony, Ronaldo).
Talvez vc conhecesse esse Tony Galvão, sei lá. Parentes do Chico Galvão... bonvivant de carteirinha...

Depois da Willys, meu pai foi para a Vemag (lançou a Rio, o Fissore, a Vemaguete...), entrou na Codema e debandou super bem colocado na VW, trabalhando com o Schultz Wenk no MKT VW... e lançou o tigrão, o fusca 4 portas... lembra?
Acho que era o Fusca 1500 que vc se refere...


Memórias, memórias, que loucura: tenho de sobra... Aliás, temos.

Mas adoramos um Futuro inesperado e revelador, sim, sim.

Como essa minha nova e definitiva paixão, te contei não?


Gegê, você não vai acreditar...

Abs.





geraldoanhaiamello... Carregando...12/02/09

Responder geraldoanhaiamello para mim
mostrar detalhes 12/02/09



É isso mesmo. Aquele palquinho em frente à Hi-fi era o máximo

Não vou republicar seu e-mail se vc não quiser.

Tiro a parte do ácido, que pode te prejudicar... Embora tenha sido nos anos 70, LOL. Coisas de teen desavisado. Of course...

baci


Gg@

domingo, 13 de junho de 2010

GG - BETWEEN THE BUTTONS' She smiled sweetly LYRICS -


"I guess she finally didi it. And i could not help but goin' after her, man..."



SHE SMILED SWEETLY

(Jagger/Richards)





Why do my thoughts loom so large on me?

They seem to stay, for day after day

And won't disappear, I've tried every way
But she smiled sweetly

She smiled sweetly

She smiled sweetly

And says don't worry Oh, no no no

Where does she hide it inside of her?

That keeps her peace most every day

And won't disappear, my hair's turning grey


But she smiled sweetly

She smiled sweetly

She smiled sweetly

And says don't worry

Oh, no no no


"There's nothing in why or when

There's no use trying,

you're here Begging again,

and ov'r again"
That's what she said

so softly I understood

for once in my life

And feeling good

most all of the time


But she smiled sweetly

She smiled sweetly

She smiled sweetly

And said don't worry

Oh, no no no

Oh, no no no

Oh, no no no

BETWEEN THE BUTTONS' She smiled sweetly LYRICS




GêGê, de Grande, du Grandeur I (SP já ñ é + nossa, queridão...)




In Memorian of the day After GG… that has gone to the rainbow bridge & is certainly cruisin’ the big blue by now…





Minha São Paulo dos anos 70 II
GGX


Geraldo Paula Souza Anhaia Mello[image: orkut] Desenvolvido por [image: Google] As carreteras do pessoal do C...
12/02/09


Geraldo Paula Souza Anhaia Mello... Carregando...


(Desenvolvido por GG - via Orkut, 2009)


As carreteras do pessoal do Canindé preparadas pelo Camilo Cristófaro e nossos porsches e ferraris eram o máximo nos rachas da 9 de julho.

Depois apareceu um preparador de carros na av. Sant' Amaro e os Opalas da zona sul começaram a ganhar.

Nós podíamos comer e beber de graça e nos entupíamos de cheesesaladas e milkshakes por conta do primo do Jorge, o Bubby Loureiro, que depois virou fotógrafo. Um bom fotógrafo, aliás.

A rua Iguatemi era pequena e as obras do que viria a ser o Shopping ainda estavam indo em marcha lenta bem em frente a um estacionamento que abrigava uma lanchonete de crepes.
As corridas migraram para lá.

EU ganhei de meu pai um fuscão 1500 quando entrei na São Francisco e eu acabei colocando pneus mais grossos, um estensor de bitola traseira e carburadores duplos. Um doido da rua Urussui travessa da Joâo Cachoeira no Itaim rebaixou os cabeçotes da máquina e colocou umas peças que faziam meu bólido andar bastante.

Um motorista de meu pai no Tribunal, milico chamado seu Lucas, me ensinou a fazer curvas muito depressa e sem perigo algum.

Depois fui até Recife dividindo a direção do fusca com o Paulo Salles, filho do Mauro, da agência de propaganda e neto do Apolônio, que foi ministro do Getúlio.

Paulo era POC, Piloto Oficial de Competições e eu aprendi a correr com ele. Na volta de Recife encontramos um cara desmaiado dentro de um Puma conversível e sem faróis. Era o Dante Vigiani, produtor de shows.

Nós o trouxemos para o Rio. Eu guiando o Puma e o Paulo na frente, iluminando a estrada para os dois carros. Depois soubemos que o Dante ia fazer uns espetáculos no Teatro Municipal de São Paulo.

Fomos lá, o Paulo e eu, e o Dante nos deu credenciais para todos os espetáculos.
Bons tempos aqueles. São Paulo era nossa.

O Guarujá também. As corridas na Enseada só não terminaram em morte porque nossos santos protetores eram muito bons.

Todos eles pediram adicional de insalubridade e risco por conta de seus tempos de serviço.

Certa vez o Jorge e eu fomos até a Ilhabela de Opala.
Destruímos o carro de meus pais.




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She Smiled Sweetly






sexta-feira, 28 de maio de 2010

Ano Zero ou...





Raciocinando em bloco ...Vechione Bros ride & play again & again & 4ever!



Long Live to róquenrou...Cornélio Costurava pra cacete e costurou duas calças do Caio, sino na boca... (continua, em Notes) pois é, bro... os vechione bros continuam em ação, segundo uma amiga minha (que sumiu, aliás....) e bãos na reta! Salve o Made, a primeira banda brasileira de roquenrou que eu curti na vida (ao vivo), desde o Vereda... ê tempo bão... saudade do Próspero tocando bateria no teatro... Cornélio era um queridíssimo...

Lembrei do Jonas, poooooota guitar boy, amigo daquele loco do Nando que trocou minha guitarra por um papelote de cocaína, o fdp... O Percy... Teve até Tony Osanah... O Fabão... Me lembro de ter escutado naquele teatro o Deep Purple in Rock tocado de cabo a rabo, por umas cinco bandas diferentes, o início das coverbands em Sampa...Me recordo de ter ouvido How Many More Times (by Vechiones, sung by Cornélius) umas 50 vezes, naquela luz azul e púrpura do palco do Velho Veredas... Vontade de escutar Blue Riviera, por falar nisso e celebrar aquele harém (então possível) que tive entre Ponto 4 (o point) e o Riviera (Obrigado, Renato, for all the fun e aquelas casquinhas de siri.... xô, Juvenal, não perturba. Vai trabalhar, vagaba)....
Rebecas, Rinas, Alices, Laís, Helena, Loraine, Glorinha, tão pequenininha e gostosinha da alma pra fora, Neguinha (que namorou Fifa que sumiu na poeira da City...), Gal (que se encheu de viver), Sandrinha dos olhos azuis e pele rosada, uma bandida do amor e dos cheques desviados... Eu enchia o saco do Juvenal e preferia ser atendido pelo Zé, a tranquilidade zen em pessoa - em oposição a um esquizo Juvenal, mistura de Luis Asa do Tempo Vieira com Cantinflas Moreno. E o Zé me servia muito bem lá em cima, o melhor lugar do mundo do então agora lá perdido no tempo... aquela luz difusa para onde levávamos as eleitas por nosso coração apaixonado de garotos nada podres, mas doidos pra chupar o pescocinhos das namoradas e sermos felizes para sempre, naquela noite, de preferência, feito vampiros do amor, exército do surf, tesouro da juventude, ladies of the road by Crimson, as damas da noite, este sim, O Bar, em plena HigiMaranhão, em noites de lua cheia, as orgias discretas da burguesia hippie de boutique, aqui ali mesmo.

Eu, adorava subir para o mezanino depois dos shows do Vereda e ficar tomando Chopp em caneca Maracanã e comer aquela sanduba duca, o Maracanã itself, com aquela cobertura maluca e genial de ovo batido.... Muitas vezes, sozinho. Calado, mudo, na solidão zen dos meus 16 anos. Ainda não havia aquele bando de coristas e cocotas saindo e entrando, eu ainda era quase puro, não havia ainda sido contaminado pela selva noturna da cidade dos anos 70, os beijos ainda eram tímidos, a ejaculação pré-cócegas, aquelas coisas de fim de aborrecencia. Imagino que nessa época minha aura (áurea, segundo alguns sotaques regionais dazed & confused) devesse ser transparente líquida. Eu meditava horas , dia sim dia não, na Narayana ali perto da Faap. Nessa época, as drogas, as minhas drogas se resumiam a um baseado por fim de semana e meio sunshine california a cada duas semanas, fora de SP, em geral lá em Vinhedo, no bosque de pinheiros do Mosteiro de lá... quinze minutos a pé, da estação de trem. Todos os meus sentimentos nesses meus dezesseis anos eram de paz, amor, fraternidade, música e sexo livre variado sem camisinhas e zões eventual. E eu me sentia puro.

Eu ainda viajava no som do Mestre Edu e da flauta de Serginho naquelas tardes psicodélicas da Faap... Alpha Centauri... Pink Floyd aparecendo na vida do rapaz de Higienópolis lado pobre, ou seja, Baroneza de Itu com Brasílio, point do Angelo e do Pancho, motoqueiro argentino maluco, aqueles bandidinhos que eram invejados por mim... Idiolatras recapados. Mas a medida que os anos 1970 impulsionavam e se punham a andar e 72, 73 chegaram... eu ia bebendo mais, experimentando todas as drogas, num período em que elas eram confiáveis, vinham da California, Santa Cruz e Cornualha e ia ficandocada vez + escolado na boemia rua Augusta, Consolação com Paulista e início da Maddá e vivendo loucuras pela noite de SP que se não fosse eu contando eu não ia acreditar e a cidade das Mulheres com os portais abertos para mim, moi, myself, ávido sem dúvida alguma de experiências pan-sexuais, cósmicas, karmicas, psicodélicas, astrais e elementais...

E foi nessa época que a dona da loja de roupas hindus, kit de acessórias para fumar e cachimbinhos de haxixe e camisas de marrakesh, apaixonou-se loucamente por aquele rapaz lindo e exuberante de 20 aninhos incompletos, amante ocasional para suas noites solitárias, quando o marido pirata pirado saía comendo as menininhas de sangue azul dos super Jardãs em festas da represa, Guarah!Piranga!.. Mas nunca o deixou trabalhar na loja para faturar seus trocos por que ia misturar, o marido ia perceber e quando mistura, jovem, mela. Isso não impediu que o belo varão se apaixonasse pela sua gerente da Lorena e tivesse um caso com a ruiva, que nessa época tinha a amiga Frenética mais querida dividindo o apezinho da rua Costa, ruiva também...



Se não tivesse existido aquela química do rapaz com você, minha linda, se aquela mordida que de leve dei no canto dos seus lábios não tivesse arrepiado seus pelinhos da nuca, suas costinhas delgadas... e você não me quisesse naquela hora com a urgência de uma teen do interior em véspera de quermesse... como quis... e se surpreendeu com isso, aliás... eu sairia atrás de você até o fim do mundo e até rolar essa química absurda, insólita, inacreditável que rolou em sua plenitude desde aquele momento nosso abraçados no meio do mall, ao som de seguranças, perdidos naquela nuvem, azul e e vermelha de paixão imediata loucura total que passou a pairar sobre nós aos olhos dos confusos e surpresos seguranças, all those men in black and headphones sob os óculos negros... ao som da madeira noturna da lareira ou sentado numa sala moderna da clínica, quando eu não conseguia parar de sentir o perfume do seu pescoço ao lado da orelha, sob o olhar espantado de Amanda, que era a competência em pessoa aliada a uma bela figura e um sorriso contagiante de futura chefe de atendimento ao cliente, se os tubarões deixarem que ela suba e não apenas a comam e descartem no meio do caminho... Ah, menina... Eu não ia sossegar até te conquistar, porque você é mulher até o fim, ou do fim do começo de uma nova vida baseada no amor puro que vem do coração da alma (a sua, cheirosa, of course, dear, like Yogananda smell), do tipo que é impossível resistir. Eu não ia desistir porque você é a mulher do tesão definitivo e perene, você é a mulher das conversas e risos pela madrugada, e até mais tarde... pra termos muito sono de manhã... Pra quê, me diga, pra quê resistir? Tá louca? Cést Loka? Loka? Você é melhor que língua de gato, gata!
Se fosse no mezanino do Riviera (Blue Riviera, play it again, S,R & G, acústico e please, chamem Rodrix q essa música é a cara dele), ficaríamos nos beijando na penumbra até o Zé vir com a dolorosa e ficar fingindo pigarro por uns dez minutos, com aquele cigarro caído no canto da boca à Bogart, without ever bogart that joint, my friend. Pass it over to me.


Mas naquela época você era um sonho impossível e eu atraía todas as mais maluquinhas como um pararraio no raio amplo daquele quadrilátero colorido que ia da Augusta até Paulista com Angélica e as vezs se estendia até a Henrique Schaumann e early MaddaH com seu bares da Terra noturnos com a melhor nata de la creme dos jardins e alto de pinheiros, todo o beautiful people, all the crazies of the bloody town and all the party ups from those houses at Pinetree High.... Celsinho, Nininha, Bartira, Renatinha e Sunshine California dentro de livros de arte para escapar a alfândega e a inquisição caseira dos pais caretas engolidos pelo Sistema.... Fuck da system, fuck the syztem... Não tenho do que reclamar.


Não tenho do que reclamar, mas muito a agradecer, e mesmo que eu viva quinhentos e vinte sete anos eu não vou conseguir agradecer todas as coisas maravilhosas que vivi na loucura desses 5.6 anos incompletíssimos, todas as pessoas que encontrei nos em 3 cantos do mundo, since i haven't gone to the Orient, or East, if U rather call it.... Eu precisaria de uma eternidade e meia para agradecer todas as mulheres maravilhosas que passaram por minha vida e me ensinaram tanto sobre tudo em 1.272 versões diferentes, todos os momentos de extrema felicidade, as vezes de uma forma até incontrolável... por todas as maravilhosas surpresas que minha mãe Zeca fazia quando eu era aquele moleque super mais que bonzinho que ficava esperando ela me visitar no colégio interno, e que muitas vezes ela não podia ir (e não ia, e eu ia pra enfermaria... Campinas, N.Sra. Auxiliadora, rogai por nós), simplesmente por estar sem dinheiro, dura, comendo o pão que o diabo amassou, mas trabalhando e linda, chiquérrima até no arroz com ovo e pão e café preto fumegante.
Agradecer a todas as pessoas maravilhosas independente de seu sexo, cultura, idade, tipo de relação e costumes me proporcionaram maravilhosos sentimentos de amor e compensasação espiritual e-mocio@l, das pessoas malucas e criativas e talentosas e amantes incondicionais do ser humano, do semelhante que respirou o mesmo ar que eu, e de algumas poucas e raras que vestiram meus sapatos (meu cobertor, meu chuveiro, nossas camas e casas, minhas camisas sociais e meias de lã também, tudo incluso) e sentiram as mesmas pedras que eu no calçado e uniram suas almas à minha em solidariedade de estranhos bem intencionados com relação ao seu próximo, terreno, elemental ou espiritual. Quero também em especial a todos os deuses e deusas por todos os grandes orgasmos, as vezes prolongados que tive o prazer de experimentar, seja por estímulo sexual, gastronômico, musical ou simplesmente cafajeste básico e prêto e rasteiro.



Ali só passei bem, bebendo e comemndo do bom e de mió. Mas isso tudo só valeu as pena porque um dia eu ia te encontrar, eu que já te esperava embora ainda não te soubesse.




E pensar que... Child in Time com o Cornélio de Gillian era de arrepiar o fiofó, juro. Palavra, aquele vozeirão envolto em boás-Bois púrpuras e azuis na penumbra do Vereda, que não era tropical e nem aceitava calça de tergal... A Vida recomeça aos 5.6. Tome nota. E sempre continua na nota seguinte, notes.